A Visão
Ao
chegar encontrei minha mãe na cozinha, nem eu, nem ela soltamos uma palavra
sequer, senti vontade de pedir desculpas mais o orgulho não me deixava, uma
certa vergonha, mais, por que aquilo estava acontecendo comigo? Logo comigo,
que peço desculpas tão facilmente aos amigos e pessoas próximas e não consigo
pedir desculpas para a pessoa que mais amo, resolvi então ir ao meu quarto, já
era noite eu estava sozinha, não tinha ninguém para conversar, então resolvi
dar uma volta no lago em frente a minha casa.
Ao
chegar ao lago, percebi que os vizinhos mais antigos, que estavam naquele lugar
saíram, talvez por que já era tarde e estava frio ou mesmo por que não gostavam
de mim, não importava naquele momento, eu já havia saído para espairecer, não
iria me irritar com aquilo. A noite estava clara, a grande lua iluminava todo o
lago, ate mesmo aquela pequena ilha que se encontrava no meio do lago, que
geralmente era como um monte de cinzas, estava clara, o vento começou as
soprar, então resolvi dar uma ultima caminhada na beira, de repente as
ventanias aumentaram e senti a sensação de estar sendo observada e seguida,
virei de costas para ver se tinha alguém realmente me seguindo, não havia nada
somente as folhas fazendo redemoinhos em meio ao nada, mesmo vendo que não
havia nada me observando, ainda sentia a sensação de estar sendo observada, de
repente, quando olho para o lago esta lá, um cisne grande e brilhante como a
lua, me olhando atentamente, não conseguia tirar os olhos dele, sentei em um
banco que havia atrás de mim, o vento começou a soprar e as folhas começaram a
dançar envolta de mim em um rodopio quase infinito, de repente ele sumiu, como
em um passe de magica, quando olhei ao lado de mim estava o livro com algumas folhas em cima,
como se ele estivesse lá durante todo o espetáculo, aquilo me deixou mais
confusa, peguei o livro , entrei para casa e fui dormir.
Naquela
noite não consegui dormir direito, aquilo que havia acontecido no parque me
deixou mais confusa, sentia meus neurônios dando um nó na minha cabeça, senti-a
divida em três partes, uma, culpada pelo que havia dito a minha mãe, outra, uma
vontade de ler aquele livro e aceitar seu convite quase magico e outra dizia
que o que estava acontecendo comigo não podia, ou melhor, não era real, será
que aquilo era um sonho? Que era só minha imaginação e que no outro dia eu
acordaria e seria normal? Provavelmente não, aquilo era real, eu sentia e
sabia, mais minha cabeça não queria acreditar. Ainda aquelas palavras soltadas
por mamãe soavam em minha cabeça, aquela duvidas e ideias me assombravam feitos
fantasmas em meio à noite e quando de repente dormi.
-Tula!
-Tula!!
-Venha
pra casa.
-Venha,
venha, Venha!!!
Acordei
assustada, de quem era aquela voz, não me era estranha, era calorosa e
familiar, doce e meiga, como uma melodia que acalmava minha mente e meu
coração.
Naquele
dia as fagulhas pareciam mais agitadas do que de costume e se materializavam
com só um pensamento, será que e dia de lua cheia? Não, se fosse eu me sentiria
mais leve, mais não, pelo contrario, sentia todo o peso das minhas duvidas na
minha cabeça, atormentavam-me completamente, levantei e fui tomar um banho,
decidi que ia pedir desculpas a minha mãe, mais quando desci para tomar café,
ela já havia saído, resolvi dar uma volta no lago, a agua estava calma e as
folhas dançavam em meio ao jardim, a ilha ganhou novamente sua forma assombrosa
e medonha de antes, o vento soprava meu rosto e por um momento esqueci-me de
tudo, da briga com minha mãe, do ódio que todos sentiam de mim, mais uma coisa
eu não conseguia esquecer, “BOOK,BOOK,BOOK” estas palavras rodeavam minha mente
então entrei, coloquei a farda e fui pro colégio.
Resolvi
ir a pé ao colégio, não era muito distante da minha casa e eu aproveitava a
caminhada para pensar, encontrei Komoí no caminho, por que ele também havia ido
ao colégio a pé? Será que havia acontecido alguma coisa?
-
O i Komoí, aconteceu alguma coisa?
-Oi,
mais ou menos, discuti com a minha mãe .
-Por
quê?
-
Recebi um convite para a festa da Yuuka e ela não deixou eu ir.
-
Certa ela, subiu um ponto no meu conceito.
-Que
isso Tula? Por que você fala isso.
-Você
sabe que ela sempre me esnoba e é a pessoa que eu tenho mais ódio no mundo e
ainda você ia à festa dela, não fala comigo.
-Calma,
acho que foi melhor ela não deixar mesmo.
-Alevante
as mãos pro céu e diga “Amém” por isso, porque se você tivesse ido, eu tinha te
matado.
-Calma
você tá muito estressada, aconteceu algo?
-Aconteceu,
além de estar acontecendo isso tudo entre eu e minha mãe, eu achei um livro
estranho na biblioteca que esta mi deixando assustada.
-Por
quê? A historia é muito assustadora.
-Para
komoí! Não e brincadeira.
-
Desculpa, da pra ver que você não esta muito bem mesmo.
Naquele
momento Komoí percebeu que eu estava mesmo angustiada, que eu não estava bem,
viu que o medo misturado com preocupação tomava meu rosto e que a insegurança
tomava todo o meu corpo.
Naquele
momento Komoí fez a única coisa que eu achava mais improvável dele fazer, ele
me abraçou, um abraço forte e caloroso, ele sabia o que eu estava sentindo e
precisando.
-
Calma! Vai ficar tudo bem.
Eu
comecei a chorar em seu ombro, sentia que se guardasse por mais tempo aqueles
segredos, os poderes, o que tinha acontecido no lago, eu iria ficar louca,
então resolvi contar tudo para Komoí.
-Você
deveria ser escritora, isso daria uma ótima historia.
-Não
é brincadeira komoí, eu estou dizendo a verdade.
-Poderes
não existem Tula, embora você queira ter super poderes para atravessar seus
desafios, eles não existem.
-Você
quer que eu prove?
-Sim,
você pode?
-Então
preparasse para o passeio.
Eu
sabia a magia certa para aquele momento, havia aprendido sem querer no sitio da
minha vó, eu havia acabado de assistir um filme em que um cachorro se perdia na
lua, então botei na minha cabeça que eu tinha que ir resgatar o cachorro, a
noite era estrelada e a lua estava cheia, acho que foi por isso que eu consegui,
eu falei “Tapete estrelar”, de repente fagulhas, como estrelas, começaram a
formar um tapete brilhante abaixo de mim e eu comecei a voar, eu voei, voei o
mais alto que eu pude mais, como era pequena, não tinha energia suficiente para
ir muito alto, então o tapete começou a descer conforme a minha energia acabava,
de repente eu já estava no chão, fraca, pois depois de se usar muita energia
você fica fraca e abatida, então eu entrei cambaleando dentro de casa e fui
dormir.
-Tapete
estrelar!
-O
que é isso Tula?!
-Você
não duvidava da magia?! Agora eu estou te provando que ela existe.
-Calma
Tula! Tá bom, eu acredito! Agora desce a gente.
-
Só depois que a gente der um passeio.
-Ahhhhhhh!
Em
um campo perto da escola...
-E
ai? Gostou do passeio?
-Isso
foi, foi... Maneiro! Vamos de novo?!
-Rsrs,
Cara, você é louco mesmo viu?
-
A gente vai andar de novo né?
-Não
dá, eu tenho que me recuperar, depois a gente da um passeio.
-Tá
bom mais agora eu é que vou ti levar.
Komoí
me pegou e me botou em suas costas e me levou ate a escola.
Quanto
mais tempo passava com Komoí, mais eu me sentia livre, sentia que podia ser eu
mesma sem que houvesse julgamentos, sentia-me atraída por ele a cada gesto de
compreensão e carinho que ele demostrava, sentia vontade de falar o que sentia
para ele, mais o medo e o risco de perder aquela amizade eram muito grandes
para enfrentar que resolvi guardar comigo e ser só sua amiga.
Nos
corredores da escola...
-Olá
Tula, vai aonde com essa roupa tão justa? Para a esquina?
-Oi
Yuuka, Primeiro que não ti interessa aonde eu vou e segundo, acho que você esta
confundindo os papeis, esse é o seu trabalho, não o meu.
-Mais
pelo menos não sou louca, nem mutante.
-Acho
melhor você se calar sua...
-Por
quê? Você vai me acertar com seus poderes, estranha?
Minha
raiva dela era tão grande que sem querer já estava produzindo uma esfera
estrelar, um feitiço que aprendi lá na casa do meu pai quando eu queria tirar
uma maçã do pé de maçãs, Komoí percebeu que eu já estava acumulando energia e
segurou meu braço.
-Não
faça isso. Ela não vale a pena. Vamos embora.
Eu
podia, melhor, eu queria soltar aquele feitiço nela, mais graças a Komoí eu não
o fiz, uma parte minha ficou com raiva dele, mais outra agradeceu por ele ter
me parado, ela não valia o esforço, se tivesse acertado-a com a esfera, só iria
ter feito o que ela queria, demostraria que tinha verdadeiramente poderes e que
ela e todos os outros estava certos de achar que eu era estranha, que eu era
anormal. Resolvi matar a aula de ciências para pensar um pouco sobre tudo,
sobre meus problemas, sobre Komoí, sobre meus poderes e, sobretudo aquele
livro, aquele livro que desde o dia que eu encontrei, meus problemas começaram
a aparecer, será que havia uma maldição por traz do livro? Será que eu deveria
aceitar seu convite? Duvidas, duvidas e mais duvidas, elas simplesmente não
sumiam, só aumentavam com o passar do tempo, não dizem que o tempo e o melhor remédio,
no meu caso não estava funcionando muito bem.
Já
era noite quando cheguei em casa, resolvi não jantar, só fiz um lanche e fui
para o meu quarto, minha mãe já havia dormido, parecia que me evitava, uma
frase que ela sempre dizia era que: nunca devemos pedir desculpas ”morra errada
mais não assumo, ‘desculpas’ demostram fraqueza
e fazem com que pisem em você, te humilhem e ti rebaixem e que ti usem”
, escutei varias vezes esta frase, era como um dilema para minha mãe,
geralmente eu não usava muito esta frase mais vi que há muita razão nela,
pessoas lhe magoam mais quando você demostra fraqueza, poucos são aqueles que
querem o seu bem.
Hoje
é sexta anoite, amanhã não tem aula, domingo vai ser a festa daquela idiota da
Yuuka, mais uma vez vou ficar em casa de novo, vendo programas de auditório
ridículo com um idiota dizendo “Quem quer dinheiro”, dá ate vontade de chorar.
Tiririririm!
Tiririririm!
Tiririririm!
Quem
é que esta ligando uma hora dessas? Talvez seja o Komoí, é bem a cara dele,
ligar uma hora dessas.
-Alo?!
-Alo
Tula, é o komoí, tudo bom?
-Sabia
que era você .
-
Você já viu sua caixa de e-mails?
-Não!
Por quê?
-Porque
você recebeu um convite da Yuuka para ir à festa dela.
-O
que? Não acredito que ela teve a coragem de fazer isso.
-Ela
teve e fez. Você vai a festa dela?
-É
claro que não!
-Escuta!
Amanhã vai ao parque e lá a gente conversa, agora vai dormir um pouco.
-Tá
bem, amanhã a gente se fala. Tchau
-Tchau,
boa noite.
Cadê o próximo capitulo ?!!!!!!!!!!!!!!!
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